Chapada Diamantina – Planejamento

Chapada Diamantina é realmente um local bem especial. Essa viagem não foi tão simples, vou explicar como foi o nosso planejamento e sobre alguns imprevistos. Pela primeira vez tivemos um imprevisto relacionado à saúde, três dias antes da viagem, a Márcia foi para o hospital com febre e dores na região do rim. Feito todos os exames e logo ela descobriu que estava com uma infecção no rim esquerdo. Ficou internada dois dias e precisou tomar dez dias de remédio na veia. Em todos os momentos ela pensava na viagem, não queria perder a chance de conhecer a Chapada Diamantina, no primeiro momento pensamos em levar o medicamento e encontrar alguém para aplicar. Ficamos com medo dessa opção pois não conhecia a estrutura das cidades e, como o feriado era de carnaval, não tínhamos ideia do funcionamento das farmácias e hospitais. Logo que a enfermeira falou para a médica sobre nossa viagem e nossa ideia de levar os remédios levamos um “puxão de orelha” dos grandes. A médica explicou a gravidade da infecção e falou que ela não poderia nem sonhar em sair da cidade. Seria nossa primeira viagem cancelada. Eu tinha planejado tudo para um casal de amigos, estava tudo pronto, passagens, pousadas, aluguel de carro e passeios.

Márcia então resolveu que eu iria viajar e ela ficava tomando os remédios, assim o casal de amigos poderia curtir a viagem sem problema. Então a viagem não foi 100%, faltou a Márcia. Melhor parte dessa historia é que vou precisar voltar à Chapada um dia, mostrar as maravilhas para a Márcia. Ela tomou os remédios e ficou tudo bem, só ficava triste quando eu mandava as fotos pelo WhatsApp :)

Agora vamos conversar sobre a viagem. Primeiro, como surgiu a ideia de conhecer a Chapada Diamantina? Por incrível que pareça a Márcia queria um carnaval diferente, que não fosse a folia das nossas praias, ela sempre falava: “esse ano eu quero um carnaval diferente, todo ano é a mesma coisa”. Hoje eu fico brincando com ela: tu queria um carnaval diferente, ganhou um carnaval em casa, tomando remédio, hehe. É… o mundo as vezes prega essas peças. Voltando para a ideia de conhecer a Chapada, falamos sobre esta possibilidade em um churrasco e um amigo falou que tinha coragem de ir também, fomos pesquisar mais e logo ficamos impressionados com suas cachoeiras e paisagens maravilhosas. Fechado então, decidimos passar o carnaval na Chapada Diamantina.

Quando se fala na Chapada Diamantina a cidade mais conhecida é Lençóis, na internet existe muita informação sobre essa cidade e as atrações que ficam próximas. Mas é apenas uma parte da Chapada, uma das aproximadamente 8 cidades que você pode escolher para servir de base para as trilhas, veja nosso mapa. Resolvemos fazer uma viagem de 7 dias, e para fugir da lotação de Lençóis no feriado de carnaval fomos primeiro para o sul da Chapada, para Ibicoara. Eu não tinha muita informação sobre essa cidade, só sabia que tinha duas cachoeiras maravilhosas: Fumacinha e Buracão.

 

Comecei a pesquisar sobre essa cidade e procurar pousada, não estava encontrando pousada com vaga e quase aluguei uma casa na cidade de Mucugê, que fica 68Km de Ibicoara. Mas não deu certo, o rapaz não estava mais respondendo minhas mensagens. Encontrei alguns contatos de guias na internet e conversando com um deles consegui o telefone de uma pousada que poderia ter vagas, enviei mensagens, mas também não tinha vaga, sorte que a pessoa foi muito gente boa e indicou outra pousada… ufa! Assim encontrei dois quartos em Ibicoara, como a trilha para a cachoeira da Fumacinha é bem longa, cerca de 4 horas, queria muito encontrar uma pousada nessa cidade, para começar a trilha bem cedo. Para fechar tudo com chave de ouro a dona da pousada ainda indicou um guia muito bom, que organizou nossos dois primeiros dias na cidade, trilha da Fumacinha e Buracão.

Encontrar pousada em Lençóis foi bem mais fácil, planejamos chegar na quarta-feira, boa parte dos foliões do carnaval já tinham voltado para casa, mas ainda encontramos uma cidade bem movimentada, acredito que seja assim o ano inteiro. Existe muito estrangeiro conhecendo a Chapada Diamantina.

Pronto, aluguel das pousadas já estavam confirmados, agora tinha que resolver o aluguel do carro e escolher o melhor caminho para chegar em Ibicoara. Estávamos um pouco preocupados com o trajeto, era bem longe de Salvador. O percurso foi longo e cansativo, mas deu tudo certo. Saímos de Salvador umas 15h e chegamos em Ibicoara umas 23h, pegamos a BR 324 até Feira de Santana, depois passamos para BR 116 e depois a BR 242, até aqui tudo em ordem, o dia ainda estava claro, pista bacana, salvo alguns caminhões fazendo fila. Quando passamos para a BA 142 o cansaço pegou, precisávamos de mais atenção pois já era noite e estavam surgindo alguns buracos na pista. Paramos para jantar em Andaraí, deu nem tempo ficar feliz, ainda faltavam 112 Km e fomos informados que o trecho de Mucugê estava cheio de buracos.

Agora vamos falar um pouco do planejamento das trilhas, dos passeios. Conversando com o guia de Ibicoara ele sugeriu primeiro fazer Fumacinha, que era mais longa, tinha que sair bem cedo e no outro dia fazer Buracão, que é bem mais tranquila. Realmente foi a melhor opção, terminamos a trilha da fumacinha simplesmente mortos, chegamos até pensar em não fazer a trilha do Buracão. Mas o guia explicou que a trilha do Buracão era bem fácil e poderíamos começar 9h, sem problema. Ainda precisamos da ajuda de um relaxante muscular e muito gelol para acordar com disposição no outro dia.

Quarta-feira, nosso plano foi o deslocamento para Lençóis, aproveitando para conhecer Poço Encantado e Poço Azul, no nosso plano as duas atrações eram no caminho e o dia seria bem tranquilo. Foi o maior imprevisto da nossa viagem, a estrada estava acabada, não posso nem chamar de estrada, perdemos muito tempo para chegar no Poço Encantado, o local é realmente maravilhoso, mas ainda não sei se valeu, gosto nem de lembrar da estrada, hehe. Para chegar no Poço Azul não foi muito diferente, pegamos uma estrada de terra que parecia não ter fim, até chegar em uma balsa que atravessava o rio e assim chegar no nosso destino. Antes da nossa viagem tinha chovido muito e acabou entrando água barrenta no Poço Azul, que na verdade estava verde.

 

Por fim chegamos em Lençóis, nossa pousada era na rua da baderna, logo encontramos um clima de alegria, muitos bares abertos e mesas no meio da rua, perfeito para um momento relax, depois de um dia cheio de estrada esburacada.

Quinta-feira, nosso plano era conhecer Caverna da Torrinha, Gruta da Lapa Doce e passear na Fazenda Pratinha, resolvemos fazer tudo sem guia, ajustamos o GPS e pé na estrada, praticamente mais 60Km pela frente. Logo na pousada fomos informado que os rios da Pratinha também tinham sofrido com a cheia, estavam cheios de barro, então retiramos do nosso roteiro, foi até melhor pois estávamos procurando tempo para visitar o Morro do Pai Inácio, de preferência no pôr do sol. Quando terminamos o passeio da Torrinha encontrei um guia e fui conversar com ele sobre a Lapa Doce e sobre a ideia de subir o Pai Inácio antes do pôr do sol, ele informou que não ia dar tempo fazer Lapa Doce e Pai Inácio, pois o morro fecha 17h, ele deu a dica de não ir para Lapa Doce, seria melhor conhecer o Poço do Diabo e depois ir para o Pai Inácio. Adoramos a dica e aproveitei para contrata-lo para o dia seguinte, trilha da Cachoeira da Fumaça. Deu tudo certo, essas adaptações no planejamento foram fundamentais para conhecer três locais muito bonitos, bem diferentes.

Sexta-feira, praticamente nosso ultimo dia na Chapada, uma trilha de dificuldade moderada, acordamos cedo e ficamos aguardando nosso guia bom de dica. Mais um imprevisto, ele não pode acompanhar a gente, mas enviou um primo para guiar nossa trilha, mais um dia de estrada ruim até o Vale do Capão e uma boa caminhada para chegar até o alto da Cachoeira da Fumaça, a queda da cachoeira estava com pouca água, mesmo assim sua beleza é impressionante. Na volta ainda deu tempo tomar um banho na Cachoeira do Riachinho, para lavar a alma e se despedir das maravilhas da Chapada Diamantina.

No sábado fizemos nosso checkout bem cedo e pegamos o rumo para Salvador. Colocamos algumas horas de folga para entregar o carro e chegar no aeroporto sem pressa. No fim deu tudo certo, não seguimos o plano a risca. Viagem boa é assim com ajuste e flexibilidade. Temos certeza que aproveitamos muito todos esses dias na Chapada e ainda temos muitas coisas para conhecer lá, mais um motivo para voltar.

 

Caso você queira conhecer esse paraíso fique sabendo que existem muitas opções, você pode ir de carro, ônibus ou avião, existe um aeroporto perto de Lençóis e estão falando em inaugurar um aeroporto no sul da Chapada. Muitos passeios são bem distantes, um carro é fundamental para quem quer economizar tempo e $. Lençóis realmente é a cidade com melhor estrutura, muitas agências de viagens organizando as trilhas e muitos guias. A noite é bem movimentada com muitas opções de bares e restaurantes. Existe uma loja bem grande,  especializada em  material de trilha, mochilas e acessórios. Ah, já estava esquecendo, preparo fisico em dia é uma boa pedida. Estou preparando um segundo post com as fotos e mais dicas dos locais que conhecemos, abraços.

2 Commentários

  1. Fabio Santos Fabio Santos
    1 de maio de 2016    

    Oi, muito legal o post. Ibicoara é demais. Estive lá em fevereiro e vale a pena separar uns 6 dias para a cidade. Além da Fumacinha e do Buracão que são cachoeiras imperdíveis vale visitar também a Cachoeira do Licuri, a Cachoeira véu da Noiva e o povoado da Raposa. Bastante banhos e visuais inesquecíveis. Me hospedei em um hostel que acabou de abrir com um preço justo (www.hostelibicoara.com.br).

    Sem contar que ibicoara está próximo de Itaeté onde se encontram diversas outras cachoeiras como Herculano, Encantada e Bom Jardim.

    abs

    • Barroso Barroso
      22 de maio de 2016    

      Obrigado Fabio, realmente existem muitas atrações na região de Ibicoara. Essa dica do Hostel é muito boa, quando eu estava procurando pousada tive uma certa dificuldade, a maioria não tem site, valeu.

      Abraços.

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