Missão Impossível: Cervejaria Patagônia

Nesta semana eu terminei a leitura do livro: De Carona até o Próximo Bar – Viajante Cervejeiro. Empolgado com suas aventuras e caronas, tomei coragem para escrever sobre uma aventura que passei em Bariloche, em busca da Cervejaria Patagônia. Vou logo avisando que este foi um dos locais mais bonitos que conheci em Bariloche, vale muito a visita e claro que você não vai precisar passar pelos perrengues que eu passei para chegar neste destino.

Em 2016 eu e minha esposa resolvemos conhecer a Patagônia, fizemos uma viagem pelo sul do Chile, cruzamos as cordilheiras e chegamos de barco em Bariloche, conto os detalhes neste post. A ideia era passar poucos dias na cidade e seguir rumo ao Fim do Mundo, Ushuaia.

Durante minhas pesquisas tomei conhecimento sobre a Cervejaria Patagônia, logo conhecer este local se tornou um dos objetivos da viagem. Como ela fica um pouco distante do centro da cidade, percebi que existiam algumas formas diferentes de chegar até ela: alugando um carro, indo de táxi, tour de ônibus e indo por conta própria de ônibus convencional. Claro que escolhi o mais seguro e confiável… Só que não :(

Pesquisei e planejei tudo e sabia que existia uma linha de ônibus que passava perto da cervejaria, no meio do caminho eu tinha que pegar um outro ônibus e depois de subir a serra eu chegava na cervejaria e já poderia desfrutar da vista e das mais saborosas cervejas da região. Como estava confiante, aproveitei para colocar um outro destino no nosso dia: Cerro Catedral.

Tudo planejado, acordamos cedo e pegamos um táxi para o Cerro Catedral, subimos o cerro de teleférico e curtimos a paisagem dos lagos, a vista é maravilhosa. Antes do meio dia descemos e começamos nossa aventura em busca da cervejaria. Estávamos uns 6 quarteirões da pista principal, onde passavam os ônibus para a cervejaria, já estávamos prontos para ir caminhando quando um motorista de ônibus parou e falou que dava carona até a pista. Bom demais, a sorte estava do nosso lado… Ele parou na pista principal e explicou para que lado a cervejaria ficava.

Ficamos no ponto de ônibus aguardamos um pouco e logo embarcamos na nossa aventura, tirei o dinheiro para pagar a passagem e logo percebi que a maioria dos ônibus de Bariloche não aceitavam dinheiro, somente um cartão pré pago, o motorista olhou e falou: “No, no… la tarjeta”. Minha esposa me olhava sem entender muito o que estava acontecendo e eu fui tentando explicar que não tinha o cartão, era turista e queria conhecer a cervejaria, o motorista só pedia a tarjeta… Quando eu já ia descer do ônibus, uma passageira viu a bagunça e resolveu pagar nossa passagem com o cartão dela. Ufa, agradeci e entreguei meu dinheiro para ela, os outros passageiros ficaram olhando nossa bagunça e seguimos para a parte final do ônibus, para passar um pouco a “vergonha”.

Passado o primeiro susto comecei a procurar nossa primeira parada, sabia que nosso primeiro destino era no km 29, perguntei para algumas pessoas e uma senhora falou que a cervejaria estava perto, fiquei sem entender pois as placas avisavam que ali ainda era o km 9. Resolvemos descer e seguir o conselho daquela senhora, eu poderia estar enganado, como sempre sou teimoso, dessa vez resolvi escutar aquela senhora. Descemos, olhamos ao redor e não tinha nada parecido com uma cervejaria, caminhamos um pouco e encontramos alguns estudantes pelo caminho e logo perguntamos onde ficava a cervejaria Patagônia, eles falaram que ali perto existia uma pequena cervejaria, mas não era Patagônia, foi aí que caiu a ficha a senhora tinha se confundido e indicou outra cervejaria.

Já passavam das 13h e a fome já estava batendo, resolvemos então perguntar onde se comprava o cartão do ônibus, a maldita tarjeta do motorista. Falaram que mais na frente existia um posto e talvez vendesse a tarjeta. Começamos a caminhar e nada de posto, na verdade não passava nem carro naquela pista. Depois de um bom tempo, encontramos um pequeno mercantil e resolvemos pedir um táxi, depois de tomar uma cerveja para “acalmar os nervos”, perguntei para o caixa se ele podia chamar um táxi, logo ele informou que os táxis não vinham até o local, pois era longe do centro. O jeito foi tomar outra cerveja e pensar em uma solução, perguntei se ele vendia a tarjeta do ônibus e claro que não vendia, hehe.

Seguimos caminhando em busca desse posto, nessa hora eu já estava apelando para uma carona, salvadora da pátria, mas os poucos carros que passavam nem olhavam para o nosso lado. Caminhamos cerca de uma hora, a fome definitivamente já era nossa companheira, até que no meio do nada vimos um carro no acostamento vendendo sanduíche de linguiça, na verdade era um pão francês com linguiça, como a fome era grande, este foi um dos melhores sanduíches de todos os tempos. Até hoje eu não sei o motivo daquele cara vender sanduíche no meio do nada, sorte nossa, assim matamos nossa fome.

Andamos mais uns 20 minutos e chegamos no tão sonhado posto e para nossa surpresa o  posto estava fechado, em uma pequena placa conseguimos ler o aviso que informava o horário de atendimento, …14h – 16h Sesta/Fechado… Nessa hora comecei a ficar triste, não tinha mais como conhecer a cervejaria, já estava na hora de procurar uma solução para a volta ao centro da cidade, pois o único destino seria esperar até as 16h, comprar o cartão e tentar pegar um ônibus. Ficamos ali esperando, vimos que mais na frente existia uma bodega, fomos até lá com a esperança que vendesse a bendita tarjeta, infelizmente não tinha e acabaram indicando o local que estava fechado.

Ficamos na beira da estrada, já nem pensava mais na cervejaria, a preocupação seria voltar para o hotel, até que do meio do mato, em uma pequena rua apareceu um táxi, saí correndo atrás do carro feito um louco, deu certo, embarcamos no táxi e perguntei se a cervejaria estava próxima, minhas esperanças estavam renovadas, logo a minha esposa perguntou: e como vamos voltar da cervejaria? Ops, realmente, já tinha esquecido desse detalhe. Mas o taxista viu a bagunça e tentou explicar que na cervejaria sempre tem alguns carros fazendo esse trajeto da volta, não seria tão complicado voltar para Bariloche.

Andamos um bom tempo ainda no táxi, depois ele começou a subir a serra, o caminho não era tão simples como tinha imaginado, mas no fim deu tudo certo, chegamos na cervejaria já umas 17h, sorte nossa que todo o esforço foi recompensado, o local era perfeito. Logo na entrada perguntamos se seria fácil conseguir um táxi para voltar e o vigia falou que sim, não tinha problema, podíamos curtir a cervejaria em paz. O resto foi só alegria, cerveja gelada e boas risadas sobre essa saga que acabávamos de vivenciar.

Com o tempo vamos aprendendo a viver com esses perrengues, não adianta desistir no primeiro obstáculo. Viajar é isso, viver aventuras e contar boas histórias.

cervejaria

Abraços e até a próxima aventura :)

 

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